O boom das academias exclusivas para mulheres diz muito mais do que apenas fitness Queremos ambientes de treino mais seguros

As ginásios reservados exclusivamente a mulheres estão a viver uma nova fase de sucesso. Se até há alguns anos eram consideradas um nicho destinado a um público específico, hoje estão novamente a ganhar popularidade em vários países europeus e não só. De Londres a Bruxelas, passando por algumas grandes cidades italianas, cada vez mais empresários investem neste modelo de negócio e muitas instalações registam um número crescente de inscrições. O seu sucesso reflete uma mudança social e levanta questões sobre a relação entre espaço público, segurança, bem-estar e igualdade de género. A primeira pergunta que surge espontaneamente é: por que razão tantas mulheres optam por treinar num ambiente reservado exclusivamente a elas? A resposta mais imediata pode parecer estar ligada à procura de maior privacidade. Na realidade, as motivações são muito mais complexas. Várias investigações realizadas nos últimos anos revelam que uma parte significativa das mulheres tenha vivido, pelo menos uma vez, uma experiência negativa durante o treino numa ginásio tradicional: olhares insistentes, comentários indesejados, abordagens indesejadas, fotografias tiradas sem consentimento ou a sensação de estar constantemente a ser observada. Não se trata necessariamente de episódios graves ou de verdadeiro assédio, mas de comportamentos que, repetidos ao longo do tempo, podem comprometer a serenidade com que se vive num local que deveria ser dedicado exclusivamente ao próprio bem-estar.

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A possibilidade torna-se uma necessidade: o surgimento dos ginásios exclusivos para mulheres

As ginásios femininos são, portanto, percebidos como ambientes mais descontraídos, onde a atenção se desloca da aparência para a saúde. Muitas sócias relatam sentir-se mais livres para usar o que preferirem, para experimentar novos exercícios sem medo de serem julgadas ou observadas e para frequentar a academia mesmo que não se sintam em perfeita forma. Para algumas mulheres, sobretudo para quem está a dar os primeiros passos na atividade física ou para quem teve uma relação difícil com o próprio corpo, isto representa um fator decisivo. Além disso, a oferta evoluiu, uma vez que, atualmente, muitas instalações propõem percursos específicos dedicados à saúde feminina: treinos durante a gravidez, recuperação pós-parto, programas para a menopausa, prevenção da osteoporose e fortalecimento do pavimento pélvico. Temas que, durante muito tempo, permaneceram à margem no setor do fitness e que hoje, pelo contrário, ganham maior destaque graças a profissionais especializadas. Obviamente, o sucesso crescente das ginásios exclusivos para mulheres reacendeu também um debate cultural.

Críticas desnecessárias?

Segundo algumas críticas, a difusão destes espaços corre o risco de representar uma forma de separação, em vez de um passo em frente rumo a uma sociedade mais inclusiva. Se as mulheres sentem a necessidade de treinar em ambientes separados para se sentirem seguras, deveria melhorar-se os espaços já existentes, em vez de criar novos. O objetivo de uma sociedade verdadeiramente igualitária deveria ser permitir que qualquer pessoa frequente os mesmos locais em condições de segurança e respeito mútuo. A criação de ambientes separados pode, sem dúvida, oferecer uma resposta concreta e imediata a uma necessidade real, mas, na prática, não elimina as causas que geraram essa necessidade. Ao mesmo tempo, seria simplista interpretar o fenómeno exclusivamente desta forma. Existem muitas razões pelas quais uma pessoa pode preferir um espaço dedicado: motivações culturais ou religiosas, experiências pessoais, timidez, percursos de recuperação após traumas ou simplesmente uma ideia diferente de conforto. Numa sociedade pluralista, oferecer opções diferentes não significa necessariamente promover a segregação, mas alargar as possibilidades de escolha. Também o mercado parece ter percebido esta evolução. Cada vez mais cadeias internacionais estão a desenvolver formatos concebidos para um público feminino, enquanto as redes sociais contribuem para divulgar testemunhos de mulheres que contam como, precisamente graças a estes ambientes, começaram a treinar regularmente após anos de renúncias. O fenómeno insere-se, além disso, numa reflexão mais ampla sobre o chamado «design de género», ou seja, sobre a forma como muitos espaços públicos e serviços foram historicamente concebidos tomando como referência um utilizador considerado neutro, mas muitas vezes moldado às necessidades masculinas. Nos últimos anos, o debate tem envolvido setores muito diversos, desde a planeamento urbano aos transportes públicos, até à medicina. Até mesmo o fitness parece seguir esta transformação, procurando oferecer serviços mais atentos às diferentes necessidades das pessoas.

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