Livros para ler em Outubro de 2025 Recomendações sobre o que ler nas próximas semanas

À medida que o outono se aprofunda, traz consigo um tempo de reflexão literária e novos lançamentos editoriais que exploram as complexidades do nosso mundo moderno. A seleção de livros deste mês aprofunda questões de identidade, construção de género e arte política, que vão desde a reinterpretação de Hamlet na Cisjordânia até à análise da masculinidade moderna, e da intimidade do corpo e do desejo às políticas culturais de beleza e auto-apresentação. Quer esteja à procura de nova ficção, ensaios instigantes ou literatura contemporânea, aqui estão alguns dos livros mais esperados para adicionar à sua lista de leitura.

Livros para ler em Outubro de 2025

Isabella Mamad — Entra o Fantasma (Marsilio)

Estava à espera há mais de um ano pela publicação de Enter Ghost (traduzido por Maurizia Balmelli, Marsilio), um romance de Isabella Hammad, escritora britânica de ascendência palestiniana. Entusiasticamente elogiado pela crítica (entre outros, por Sally Rooney e Zadie Smith, os meus marcadores pessoais de qualidade), foi finalista do Prémio Feminino de Ficção. Enter Ghost conta a história de uma mulher adulta, Sonia, uma atriz palestiniana que decide regressar à sua terra natal após o fim de uma relação. Lá, ela se envolve numa produção de Hamlet que se passa na Cisjordânia. Hammad cita e reescreve passagens da peça de Shakespeare, não traduzindo do original inglês, mas de uma versão anterior em árabe, ato que destaca a tradução como um gesto de recuperação material e simbólica. Em dezembro de 2023, o The Guardian publicou uma troca de e-mails entre Hammad e Rooney sobre a Palestina e o papel político da arte, pode lê-la aqui.

Manolo Farci — O que Resta dos Homens (Nottetempo, 10 de outubro)

Manolo Farci é Professor Associado da Universidade de Urbino, com especialização em Sociologia da Comunicação e dos Media Digitais. No seu ensaio What Remans of Men, publicado pela Nottetempo, Farci analisa a masculinidade contemporânea e as práticas e discursos que a moldam. De figuras da mídia como Andrew Tate ao uso de conceitos como masculinidade tóxica, o livro examina como a crise masculina decorre de vazios que são, em última análise, preenchidos por subculturas tóxicas, personalidades misóginas e fóruns de extrema-direita, atraindo muitos jovens.

David Szalay — Em carne e osso (Adelphi)

Minimalista e controlado, In the Flesy pode ser visto como um exemplo perfeito do que Farci explora: a vida de um homem, outrora menino, no mundo moderno. O protagonista é István, e o romance abre com um tema carregado e liminar: a primeira experiência sexual. A “carne” do título lembra ao leitor que o protagonista silencioso vive através do seu corpo; incapaz, ou talvez relutante, de se expressar em palavras, István manifesta os seus desejos impulsivamente, às vezes violentamente.

Sara Marzullo — Preparação (66º e 2º)

Segundo o dicionário Treccani, preparar-se significa “organizar o que é necessário para uma determinada ação ou operação”. No novo ensaio de Sara Marzullo Getting Ready (66º e 2º), este gesto quotidiano, realizado em frente ao espelho, torna-se uma lente através da qual se analisam as dinâmicas de género, classe e poder que moldam os corpos. Qual é a diferença substancial de vestimenta entre Maddy, Cassie e Nathan em Euphoria? Ou entre Don Draper e Peggy em Mad Men? Partindo de exemplos da vida diária, luxo tranquilo e cuidados com a pele, Marzullo explora como esses atos, gestos, escolhas e gostos estão social e culturalmente situados.

Frances Cha — Se Eu Tivesse a Sua Cara (Astoria)

Estatisticamente, a Coreia do Sul é o país com o maior número de procedimentos de cirurgia estética per capita no mundo. Mas o que acontece para além das estatísticas, na vida das mulheres comuns? No romance If I Had Your Face, publicado pela Astoria a 17 de outubro, a autora sul-coreana Frances Cha explora o tema da beleza e as suas ramificações através da vida de quatro mulheres em Seul que vivem no mesmo edifício: Ara, Kyuri, Miho e Wonna. As múltiplas perspetivas permitem que a narrativa abarque experiências e vidas diversas, entrelaçando temas como o sexismo, a desigualdade de classes e a riqueza como fonte de controlo sobre as mulheres.

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