“Feminilidade não é fragilidade” Entrevista a Vanessa Villa, autora de “Risveglia la guerriera gentile che è in te”

Sou Vanessa Villa, fundadora da FightGentally, autora, oradora e ex-campeã italiana de karaté” com um currículo como este, é impossível não estar interessado na história da Vanessa, que acaba de publicar o livro “Despertar o Guerreiro Gentil em Ti”. Pedimos-lhe que nos contasse, mas também que nos contasse a sua história, que começa assim: “Durante muitos anos achei que o meu valor dependia da minha capacidade de ser forte. Depois descobri que a verdadeira força não é resistir a tudo, mas permanecer fiel a si mesmo nos momentos mais difíceis. Hoje o meu trabalho decorre precisamente desta consciência: ajudar as pessoas, e especialmente as mulheres, a conjugar força e bondade, disciplina e escuta, ambição e autenticidade.” Nem um pouco! Foi isso que ele nos disse.

Entrevista a Vanessa Villa

 
Apresente o seu livro ao nosso público
 
Risveglia la guerriera gentile che è in te (Despertar o Guerreiro Gentil em Ti) é uma viagem de transformação interior construída em torno de doze princípios que me ajudaram a mudar a minha vida. Não é um livro que nos ensina a tornar-se outra pessoa. É um convite para voltar a si próprio. Fala de disciplina, vulnerabilidade, amor, perdão, gratidão e coragem. Porque acredito que dentro de cada mulher já existe uma força extraordinária: às vezes só precisa de ser lembrada.
 
 
O título parece quase um oxímoro num mundo que ainda associa força à agressão. Quando é que percebeu que podiam viver juntos?
 
Percebi-me quando a força por si só deixou de ser suficiente para mim. Como atleta estava habituado a lutar, a resistir, a ir sempre mais longe. Mas na vida há batalhas que não podem ser ganhas com dureza. Eles são ganhos com a capacidade de permanecer abertos, de perdoar, de aceitar o que não podemos controlar. Compreendi que a bondade não é o oposto da força. É a sua forma mais avançada.
 
No livro fala-se muito de disciplina, mas muitas vezes as mulheres são ensinadas a ser disciplinadas a aderir a padrões impossíveis. Como é que distingue entre disciplina que liberta e aquela que oprime?
 
A disciplina que oprime decorre do medo de não ser suficiente. A disciplina que liberta vem do amor pelo que podemos nos tornar. O primeiro afasta-te de ti próprio, o segundo aproxima-te. Para mim, disciplina não é castigo, controlo ou perfeição. É um ato de respeito pelos sonhos. É cumprir as promessas que fazemos a nós mesmos.
 
Muitos dos seus princípios parecem quase ir contra o modelo de liderança hiperperformativo que vemos online. Acha que hoje ainda há espaço para uma força mais suave?
 
Creio que hoje precisamos dela mais do que nunca. Estamos rodeados de modelos que celebram a produtividade implacável, mas cada vez mais pessoas estão a entender que o sucesso sem equilíbrio tem um preço muito elevado. Liderança amável não é liderança fraca. É uma liderança que sabe ouvir, criar confiança, gerar impacto sem sacrificar a humanidade. E penso que é precisamente a liderança do futuro.
 
 
O FightGentilmente decorre também do karate, um desporto historicamente percebido como muito duro e competitivo. Como é que essa experiência influenciou a tua ideia de feminilidade?
 
Ensinou-me que a feminilidade não é fragilidade. Durante anos vivi num mundo que recompensava a força física e a competição, mas ali aprendi que podemos ser poderosos sem abrir mão da nossa sensibilidade. Hoje vejo a feminilidade como a capacidade de conter opostos: força e suavidade, determinação e vulnerabilidade. Não temos de escolher uma parte de nós mesmos. Podemos ser ambos.
 
Alguma vez sentiu a pressão de ter de ser 'forte' a todo o custo, especialmente enquanto mulher e figura pública?
 
Muitas vezes. Durante anos pensei que mostrar as minhas fragilidades iria decepcionar os outros. Depois descobri que era verdade o contrário. As pessoas não se conectam com a perfeição, conectam-se com a verdade. Hoje já não sinto necessidade de parecer invencível. Penso que uma das formas mais elevadas de coragem é deixar-se ser humano.
 
O livro alterna espiritualidade, prática e introspecção. Quais foram as suas inspirações, tanto literárias como pessoais, durante a escrita?
 
As minhas inspirações eram muito diferentes umas das outras. Certamente a filosofia oriental e os ensinamentos do karate desempenharam um papel importante. Mas acima de tudo, fui inspirada pelas pessoas que conheci, os meus ferimentos, as minhas quedas, a maternidade e os momentos em que me sentia perdida. Este livro deriva muito mais da experiência vivida do que da teoria.
 
 
Qual é o princípio do livro que teve mais dificuldade em aplicar na sua vida?
 
Provavelmente a da aceitação. Sou uma pessoa que adora construir, melhorar, agir. Aceitar o que não consigo controlar tem sido um dos ensinamentos mais difíceis. Mas também uma das mais libertadoras. Porque aceitar não significa desistir. Significa parar de lutar contra a realidade e usar essa mesma energia para transformar o que podemos realmente mudar.
 
No livro, convida os leitores a desacelerarem e a ouvirem uns aos outros, mas vivemos numa cultura que quer sempre que sejamos produtivos. Acha que o abrandamento hoje se tornou um ato político?
 
Absolutamente sim. Numa sociedade que mede o valor de uma pessoa com base no que produz, abrandar é um gesto revolucionário. Não significa fazer menos. Significa escolher com maior consciência onde colocar a sua energia. Acho que muitas mulheres estão cansadas de sentirem-se constantemente atrás de um padrão impossível. Desacelerar, ouvir a si mesmo e respeitar os seus próprios ritmos é um ato de liberdade. E talvez até uma forma de rebelião suave.

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