Livros para ler em Março de 2025 Reunimos os últimos lançamentos mais interessantes

Em 2023, foram vendidos cerca de 86 000 livros em Itália. Se já existe um cansaço generalizado em navegar por todas as plataformas de streaming em busca de algo para ver — uma pesquisa que, pessoalmente, termina meia hora depois com a minha maior insatisfação (tanto que estou feliz a ver Os Sopranos) — não podemos sequer imaginar algo comparável quando procuramos algo para ler. Então, porque não reunir os lançamentos mais interessantes num artigo? Costumo deixar o meu gosto pessoal, editores (Nottetempo, Edizioni e/o, 66thand2nd, NN Editore), podcasts (talvez apenas um: Comodino by Il Post, apresentado por Ludovica Lugli e Giulia Pilotti), e uma boa dose de curiosidade e confiança guiar-me. Aqui estão quatro recomendações literárias baseadas nos últimos lançamentos: uma história de amor, uma viagem à volta da Terra, uma orelha decepada e mulheres trancadas.

O que ler em março de 2025

Addio, Bella Crudeltà — Riccardo Meozzi (Edições e/ou)

Como referi, a Edizioni e/o é uma das minhas editoras favoritas — sem elas, não teríamos Christa Wolf, Elena Ferrante e estreias como esta. Lançado a 12 de fevereiro, Addio, bella crudeltà de Riccardo Meozzi reboba o rolo do filme, contando a história de amor de Lidia e Giovanni. Escrito alternando o presente com um passado cronológico inverso, passa no início dos anos 90 e sente tanto um alívio como uma maravilha: um mundo sem internet e tudo o que se segue, o microcosmo de uma história de amor onde as dinâmicas de poder entre os dois protagonistas são viradas diante dos nossos olhos. Lidia, uma adolescente frágil e desorientada, torna-se cáustica e dominante, enquanto Giovanni perde o seu exterior duro, zangado e impulsivo devido à doença.

Heroínas — Kate Zambreno (Nottetempo)

Em 2009, Zambreno sentiu-se um outsider. Depois de se mudar para o Ohio para o novo emprego do marido, começou um blogue: Frances Farmer is My Sister. Três anos depois, tornou-se Heroines, um livro de culto nos Estados Unidos (reeditado no ano passado e recentemente publicado em Itália pela Nottetempo). Alternando entre o pessoal e o político, Zambreno tece as histórias de fantasmas, escritores, artistas e mulheres principalmente conhecidas como “esposas de”. Ela rejeita a noção de que devem ser confinados a um quarto próprio. Uma obra de autoficção, Heroines usa o singular em primeira pessoa para destacar como o pessoal é político e como as experiências pessoais podem levar a uma consciência de dinâmicas sociais opressivas.

A pele do Mundo — Montag (O Saggiatore)

Lançado a 25 de fevereiro por Il Saggiatore, este romance é o resultado de três mentes: Niccolò Monti, Lorenzo Rossi Mandatori e Luca Tognocchi. A orelha cortada na capa lembrou-me imediatamente o Blue Velvet, o filme de David Lynch, de 1986, mas ao contrário da orelha encontrada na relva pelo personagem de Kyle MacLachlan, aqui está selada, embalada, quase pronta a ser usada. O protagonista do romance perde a mobilidade na mão direita — o que significa habitar um corpo quando este se torna substituível? Numa era marcada pelo determinismo tecnológico e chips implantados no cérebro projetados para “desbloquear o potencial humano” (nas palavras de Elon Musk), o coletivo Montag explora as implicações filosóficas e sociais dessa trajetória.

Orbital — Samantha Harvey (NN Editora)

Se quiséssemos refletir sobre o quão (in) finitos somos, poderíamos voltar os nossos pensamentos para o Voyager Golden Record, um disco transportado para o espaço por duas sondas lançadas em 1977. O registo é semelhante à descoberta de um fóssil humano: contém sons, música, imagens — uma relíquia ou um artefacto. É neste ambiente paradoxalmente escuro, nesta perspetiva, que Samantha Harvey escreve Orbital, lançado em Itália a 11 de fevereiro pela NN Editore. Este pequeno romance captura a vida de seis astronautas e cosmonautas em dezasseis órbitas ao redor da Terra a partir da Estação Espacial Internacional (ISS). São fragmentos da vida terrena e ligada ao espaço, preenchendo os pensamentos destes humanos: a memória de uma pintura, uma perda, um casamento, sonhos de gravidade.

O que ler a seguir