
O que significa viajar hoje? Entre as novas tendências, a sustentabilidade e as responsabilidades dos turistas modernos
Qual é a próxima viagem que planeia fazer? Já reservou ou vai embarcar numa aventura? Viajar nunca foi tão fácil, mas as férias continuam a ser um verdadeiro símbolo de status, algo para discutir nos jantares, para flexionar os nossos conhecidos inocentes, para partilhar no Instagram. No entanto, esquecemo-nos muitas vezes que viajar conscientemente é muito bonito, mas não é fácil. Vamos dar uma olhada nas últimas tendências e refletir sobre o que significa viajar de forma sustentável e contemporânea, assumindo as nossas responsabilidades como viajantes modernos, uma foto do Instagram de cada vez.
As Novas Tendências de Viagens
Era uma vez, viajar era um enorme privilégio. Uma despesa insustentável para muitas famílias, algo que só os chamados ricos poderiam pagar. Agora, com as companhias aéreas de baixo custo e um aumento do trabalho flexível, as coisas mudaram, especialmente quando se trata de estadias curtas. A vida é fluida, assim como as férias. Tanto é assim que se misturam com viagens de negócios, levando a termos como o bleisure (lazer de negócios) ou trabalho. Se é uma viagem com amigos, o termo usado é budycation, se é para dormir e descansar então é sono. Algumas destas tendências parecem depender directamente da situação económica menos do que ideal em que nos encontramos. Quando a lua de mel, por exemplo, é interrompido, enfrentamos uma minilua, se escolhermos um destino um pouco desconhecido para poupar dinheiro, estamos a optar por um dupe de destino. Outros dependem das alterações climáticas. Se escaparmos do calor para climas mais frios, estamos a embarcar num refúgio, e assim por diante. Mesmo diferentes modos de viagem, como as tendências de cuidados com a pele e beleza, tendências alimentares e qualquer aspeto da vida contemporânea, são todos fragmentados e reembalados, revendidos com nomes cativantes e memoráveis. Em todos estes termos, porém, não devemos perder de vista uma verdade fundamental: ser viajante implica também deveres e não pode ser desligado dos tempos em que vivemos, para o bem ou para o mal.
A questão da sustentabilidade: o que podemos fazer?
Em 2019, o setor do turismo foi responsável por 10% das emissões de gases com efeito de estufa. De acordo com um relatório da Mediterranean Tourism Exchange, o turismo de massa tem um impacto negativo nos recursos naturais dos locais que são periodicamente invadidos. Além disso, os destinos turísticos são geralmente mais poluídos, os sítios naturais são destruídos e os verões são assolados pela seca devido ao uso descuidado da água pelos turistas. À nossa maneira pequena, quando escolhemos viajar (sozinhos ou com amigos), podemos fazer algo para limitar tudo isto. Podemos, por exemplo, escolher um operador turístico que se comprometa a ser sustentável, tentar pegar transportes públicos na área em que estamos, comprar em lojas e restaurantes locais em vez de grandes cadeias, enfim, estar atentos aos nossos comportamentos, ao nosso desperdício e aos nossos movimentos. E se isso deve ser sempre válido, mesmo quando estamos em casa, torna-se ainda mais urgente quando nos mudamos para lugares ao sul do mundo, onde temos mais poder de consumo.
Outras Responsabilidades do Viajante Contemporâneo
Não é apenas uma questão de sustentabilidade, mas também de responsabilidades gerais, que são inerentes mesmo à escolha do destino. Alguns sítios (como o Havai, ou a Florida durante as férias de primavera) pediram aos potenciais turistas que evitassem as suas áreas. Como verdadeiros viajantes, devemos aceitar os seus desejos, tal como devemos comprometer-nos a respeitar as pessoas, os animais e os costumes dos lugares sobre os quais queremos aprender mais. Chega de fotos de crianças, chega de vídeos a imitar, chega de exigir do mundo inteiro os padrões que mantemos em casa, em todas as áreas. Viajar não é apenas uma forma de recolher imagens, de colocar alfinetes num mapa, mas também de aprender o respeito pelo novo e pelo diferente, desenvolver o nosso espírito de adaptação e curiosidade. Caso contrário, mais do que viajantes, somos turistas, ou pior: hóspedes rudes de tolerar, esperando que saiam o mais rápido possível.


























































