Sente-se mais triste por volta do Natal? Pode ser culpa do blues natalício

O Natal aproxima-se. Há decorações, luzes, filmes cheios de amor e alegria, boa comida, jogos de tabuleiro, vinho quente, abraços. Tudo muito bonito, pelo menos em teoria. No entanto, nem todos consideram estas perturbações (mesmo que temporárias) ao ritmo das suas vidas positivas. Algumas pessoas vivenciam este período como um pesadelo emocional com grande dificuldade. Para esta mistura de sentimentos muitas vezes multifacetados e complexos, foi cunhado o termo Christmas blues, referindo-se a uma forma de melancolia e tristeza que ocorre antes, durante, e/ou depois das férias de Natal. Tende a afetar as pessoas que se deparam no passado e lutam para aceitar mudanças e incertezas.

Sintomas e Causas Físicas

Os principais sintomas da tristeza natalícia incluem uma profunda sensação de ansiedade, tristeza, stress, bem como sintomas físicos como dores de cabeça, insónia, pensamentos negativos, fadiga, ansiedade e solidão. Mas o que causa esses sentimentos durante o Natal? Para responder a isso, precisamos analisar a situação a partir de duas perspetivas. A primeira é de origem física: uma equipa de psicólogos clínicos da Universidade do Kansas publicou uma investigação na Medical Hypotheses sugerindo não exagerar nas comidas natalinas porque o aumento de açúcares nas deliciosas refeições festivas pode desencadear processos inflamatórios físicos e psicológicos ligados a doenças depressivas. Além disso, a diminuição das horas de luz do dia e a interrupção do ciclo sono-vigília aumentam o risco de ansiedade, raiva e pensamentos intrusivos.

Causas Psicológicas

Numa perspetiva psicológica, devemos admitir que o Natal pode ser stressante e cheio de obrigações! Por exemplo, uma mulher solteira de 30 anos à mesa da família pode não escapar à inevitável questão de quando vai trazer um parceiro para casa para se estabelecer. Como acha que ela vai sentir-se, pensando que todos alcançaram os seus objetivos excepto ela? Ou adolescentes que desejam artigos caros de pais que não podem pagar, como vão metabolizar essa falta? Quanta solidão sentirão aqueles que escolheram passar as férias sozinhos, enquanto o mundo inteiro à sua volta parece gritar que não se pode ficar sozinho na véspera de Natal, que é triste, que precisa de família? Em suma, a tristeza natalícia não está ligada ao conceito de Natal em si mas sim a tudo o que o rodeia, incluindo um mundo de crenças que alimentam um ideal inatingível de perfeição e ruptura psicofísica a que o nosso corpo não está habituado.

Como geri-lo?

Para a tristeza natalícia, é aconselhável procurar sempre ajuda profissional de um psicólogo ou psicoterapeuta. Podem trabalhar com o paciente para encontrar as soluções certas e adquirir estratégias de enfrentamento úteis para superar o momento. Pedir ajuda é uma manifestação de força, não de fraqueza. Entretanto, algumas precauções podem ajudar a gerir o Natal. Por exemplo, pode tentar manter uma rotina tão semelhante quanto possível à sua vida diária sem atrapalhar completamente a sua programação. O mesmo vale para a alimentação. Não mude os seus hábitos; coma e beba o que preferir e ouça o seu corpo. Da mesma forma, os especialistas recomendam não interromper os seus treinos ou manter o corpo em movimento. Mesmo uma simples caminhada diária pode ajudar. Além disso, defina um orçamento para presentes que se alinhe com o que PODE gastar, não com o que acha que DEVE gastar. Dê presentes sem stress. Crie as suas tradições, compile uma lista de coisas que gostaria de fazer. Em suma, permita-se ser você mesmo, passar tempo com aqueles que o fazem feliz, e não se sinta obrigado a fazer nada: descubra uma nova maneira de ser feliz.


Aviso Legal: É importante distinguir entre o blues natalício e a desordem afetiva sazonal. O primeiro é um estado melancólico relacionado com o período natalício, enquanto a perturbação afetiva sazonal é uma doença clínica que remete com a chegada da primavera/verão.

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