
Os melhores looks de Raffaella Carrà, ícone pop da TV italiana e da música Do icónico bob loiro aos trajes ousados com botões de barriga né
Raffaella Carrà não foi apenas uma das personalidades mais reconhecidas da televisão italiana, foi o único verdadeiro ícone pop (juntamente com Mina) a emergir do showbiz italiano. Eclética como nenhuma outra, foi apresentadora, cantora, atriz, soubrette, mas também um símbolo sexual, uma feminista, um ícone homossexual, a única capaz de escandalizar as mentes conservadoras nos anos 70 ao mostrar o seu umbigo na TV, influenciando e libertando assim o estilo de toda uma geração.
Nascida em Bolonha a 18 de junho de 1943, Raffaella Maria Roberta Pelloni durante a sua carreira fez tudo, mostrando um talento eclético. Quando criança o seu grande sonho era tornar-se coreógrafa de balés clássicos, por isso aos 8 anos deixou a Riviera Romanha para continuar os seus estudos na Academia Nacional de Dança e depois no Centro Esperimentale di Cinematografia. Quando tinha apenas sete anos estreou-se como atriz no filme Tormento del passato de Mario Bonnard e, à medida que cresceu, trabalhou em alguns filmes ao lado de Mario Monicelli e Frank Sinatra. Apesar de a dança e o cinema terem sido os seus primeiros amores, foi a TV, com as grandes variedades Rai dos anos setenta como a Canzonissima, que lhe trouxe grande sucesso.
Dancei como se ninguém tivesse ousado, quebrava as regras, inventei o espectáculo. Na Rai ficaram chocados e, no dia seguinte, até a minha mãe telefonou-me para perguntar se era realmente eu.
A mulher do espetáculo conta na biografia escrita por Roberta Maresci, descrevendo o efeito disruptivo do seu Tuca Tuca. Numa entrevista há alguns anos, relembrando o look escolhido para dançar o hit e constituído por crop top e bell-bottom, disse:
O meu umbigo nu saiu de um traje desenhado por um figurinista da Rai. Agora esqueço o nome dela. Mas as raparigas no verão já andavam por aí assim, com a barriga exposta e calças compridas. Não tive problema em mostrá-lo na televisão. Estava livre. Até os headshots eram um sinal de liberdade de spray de cabelo, de superestruturas, de rigidez. Era quem eu era, sem constrições.
Raffa sempre ostentou essa sensação de liberdade muito naturalmente, cantando canções que agora incendiam a pista de dança e são uma obrigação em todas as playlists nostálgicas. Na altura ninguém percebeu, mas entre ritmos latinos e letras aparentemente fáceis, Carrà falava de amor livre, inclusão, LGBT e empoderamento feminino. Tanto que para o The Guardian, Raffaella Carrà foi “a estrela pop italiana que ensinou à Europa a alegria do sexo” e “um ícone cultural que revolucionou o entretenimento italiano”. Alguns exemplos? Em Pedro Pedro cantou sobre uma senhora madura à procura de um jovem amante em Santa Fé; em Luca havia uma história de sair ou sair; enquanto Tanti Auguri é um hino ao sexo e à sexualidade.
Nem mesmo anos de mini-questionários televisivos à hora do almoço, contagem de feitiços, encontros com familiares perdidos na América Latina e uso excessivo de ombreiras não conseguiram manchar a sua imagem, mas sim impulsionaram-na, transformando-a num ícone internacional incomparável. Um look casual bastava para a reconhecer: pequena, com uma cintura muito fina, coxas “como as da Romagna”, um sorriso contagiante e aquele bob único que no início era castanho, depois vermelho e finalmente loiro. O penteado que se tornou a sua verdadeira assinatura de beleza foi criado quase por acidente pelo cabeleireiro Cesare Vergottini. Chega de backpenting que era tão popular, o novo must-have era um bob muito geométrico e suave que recriava a forma de um “V” atrás da nuca. A estreia teve lugar no programa Io Agata e tu em 1969, mas foi a versão loira brilhante de Canzonissima, que se mostrou e depois voltou perfeita mesmo enquanto Raffa balançava nas notas de Tuca Tuca, para fazer história.
Eu tinha um cabelo encaracolado. Depois veio Vergottini, cortou-o e endireita-o. Salveu-me. - Recordou o artista na sua biografia de 2013 — A minha teoria é que tem de ser reconhecível mas ao mesmo tempo tem de mudar e renovar-se pouco a pouco.
Resultado? Raffaella Carrà tinha encontrado no bob o seu estilo de assinatura, um corte revolucionário e versátil que todos queriam copiar porque era fácil renovar encurtando os comprimentos até a mandíbula ou adicionando uma franja.
O famoso bob foi complementado pelo amor por olhos de gato e olhos esfumaçados, mas, acima de tudo, por uma série de looks excêntricos e bling-bling constituídos por bodysuits de corpo inteiro, macacões de lycra, minissaias usadas com meias pretas ultra-opacas, fatos com blazers com ombros acolchoados, longos vestidos de noite cheios de lantejoulas, babados e mangas inchadas.
O realizador espanhol Pedro Almodovar, que sempre foi um grande fã de Raffaella, disse uma vez: “Raffaella Carrà no es una mujer. É um estilo de vida”. Amem!
















































































































