
Mimì Pecci Blunt: a mulher que transformou o estilo numa forma de arte Villa Reale di Marlia celebra o legado de um dos mais refinados protagonistas do gosto do século XX

De 2 de julho a 16 de agosto de 2026, nos espaços do Complexo San Micheletto em Lucca, a exposição Elisa Bonaparte e Mimì Pecci Blunt em Marlia. Duas mulheres, dois séculos, uma moradia convida o público a entrar no universo cultural e simbólico da Villa Reale di Marlia através de uma história que entrelaça história, arte e memória. A exposição coloca em diálogo dois protagonistas que, em diferentes momentos, ajudaram a definir a identidade da moradia e o seu papel na cultura europeia, através de uma seleção de materiais de arquivo, provas documentais e presenças visuais altamente sugestivas. Em exposição, algumas cartas autógrafas de Elisa Bonaparte, o famoso vestido de noiva de Mimì Pecci Blunt e uma seleção de documentos e fotografias do Arquivo Villa Reale di Marlia que devolvem o requinte e a dimensão internacional que atravessam a história da moradia.
Mimì Pecci Blunt, a exposição na Villa Reale di Marlia
Ainda antes do conceito de lifestyle existir, Mimì Pecci Blunt já tinha transformado a sua vida num manifesto estético. Colecionadora, patrona, anfitriã, intelectual cosmopolita e protagonista da vida cultural europeia do século XX, concebeu cada ambiente, cada encontro e cada detalhe como parte de uma visão precisa da beleza. Villa Reale di Marlia não era apenas a sua residência: tornou-se o lugar onde a arquitetura, a arte, a moda e o munganismo se fundiram numa linguagem única, capaz de influenciar o gosto de toda uma geração.
Hoje, Villa Reale di Marlia devolve ao público o retrato de uma mulher cuja abordagem ao estilo parece surpreendentemente contemporânea: sofisticada mas nunca ostensiva, rigorosa mas aberta à inovação, construída sobre o encontro entre património histórico e vanguarda artística. Para Mimì, o estilo não era apenas o que se usava: era uma forma de habitar espaços, receber convidados, construir relações, apoiar artistas e até documentar a própria existência.
Os seus álbuns fotográficos, anotados com precisão quase editorial, falam de uma sensibilidade que antecipa a cultura moderna da imagem e da narrativa visual. As suas casas tornaram-se cenografias em diálogo contínuo com o presente: mobiliário antigo coexistia com obras da nova vanguarda, enquanto objetos históricos, fotografias, arte moderna e design construíam aquela estética pessoal que Irene Brin teria definido como uma refinada “desordem cultural”.
Quando Mimì comprou a Villa Reale di Marlia, não se limitou a restaurar os seus quartos: reinterpretou-os. Seguindo a mesma sensibilidade que tinha guiado Elisa Bonaparte um século antes - da qual hoje a exposição exibe algumas cartas autógrafas, encontradas no arquivo de Mimì - recuperou o património histórico da residência, combinando-o com as tendências decorativas mais inovadoras do seu tempo.
O legado de Mimì Pecci Blunt
Muito antes de estes se tornarem conceitos contemporâneos, Mimì Pecci Blunt já tinha sentido o valor da contaminação entre disciplinas, da cultura como experiência partilhada e do estilo como autêntica expressão de identidade. Mais do que patrona, foi uma extraordinária intérprete do gosto do seu tempo, capaz de criar ligações entre pessoas, ideias e linguagens, antecipando aquela figura que hoje definiríamos como formadora de opinião cultural. O seu legado vive nos quartos da Villa Reale di Marlia, onde a moda, a arte, a arquitetura e a história ainda estão em diálogo com surpreendente relevância, contando a visão de uma mulher que tem conseguido transformar elegância em cultura.











































































