Os casacos indispensáveis para a Primavera 2026 Dos estilos recortados aos anoraques, todas as principais tendências que precisa conhecer (e vestir)

Os casacos indispensáveis para a Primavera 2026 Dos estilos recortados aos anoraques, todas as principais tendências que precisa conhecer (e vestir)

Com a chegada da estação quente, tudo muda, e não se trata apenas de temperatura. É o ritmo do próprio guarda-roupa que se transforma, tornando-se mais fluido, mais intuitivo, mais livre. As silhuetas iluminam, os tecidos ficam macios e quase sem peso, enquanto o agasalho, a estrela indiscutível do inverno, é reimaginado numa chave mais suave, tornando-se versátil, em camadas, perfeito para aqueles dias em que o sol está alto mas o ar ainda parece nítido. E é exatamente aqui que entram os casacos de primavera: peças de transição, sim, mas também dispositivos estéticos sofisticados, capazes de reescrever um look inteiro com um único fecho ou um detalhe desabotoado. Do casaco denim ao couro, passando por versões mais técnicas e desportivas, cada modelo conta uma atitude diferente. As pistas primavera-verão 2026 combinam funcionalidade e desejo estético, com uma abordagem cada vez mais pessoal. E enquanto os casacos e malhas recuam silenciosamente para as gavetas, é precisamente o vestuário de primavera que ocupa o centro das atenções, tornando-se a ferramenta através da qual interpretar não só o tempo, mas também o momento presente. Aqui estão as tendências SS26: diferentes formas de interpretar a estação mais ambígua (e fascinante) do ano, brincando com proporções, detalhes e styling que transformam uma peça funcional num gesto estético consciente.

O casaco cortado

Se há uma tendência em que todos concordam quando se trata de tendências de jaquetas da primavera de 2026, é esta: tudo está a ficar mais curto. O casaco recortado torna-se a verdadeira estrela da estação, reescrevendo completamente as proporções e trazendo o foco de volta à cintura. Alto ou ultra-baixo, não importa — desde que o volume faça parte do jogo. A sua confirmação na passarela vem da Chanel, onde Matthieu Blavy reinterpreta o icónico casaco de tweed, tornando-o mais contemporâneo, preservando o seu inconfundível charme burguês. Paralelamente a esta estética, as reinterpretações multiplicam-se entre aviador, bolero, bombardeiro, casulo e silhuetas personalizadas, vistas na Givenchy, Fendi e Max Mara. A força do casaco recortado reside na sua capacidade de criar relações. Não existe por si só — vive através do que o acompanha. Calças de cintura alta, saias lápis, denim estruturado... tudo é chamado a interagir com aquela linha interrompida que define a silhueta. Até as suas variações (bombardeiro, bolero, aviador, trincheira) amplificam esta dinâmica, transformando um simples corte num dispositivo de styling complexo.

A jaqueta utilitária

A moda gosta de se apropriar ciclicamente do que se origina noutro lugar, e a jaqueta utilitária é talvez um dos exemplos mais refinados dessa dinâmica. Nascido para o trabalho e pensado para durar, transforma-se agora numa das peças mais interessantes do guarda-roupa de primavera. Nas pistas SS26, da Prada a Isabel Marant, e até à Balmain e Burberry, a jaqueta utilitária é reinterpretada com precisão quase cirúrgica. Permanecem bolsos, costura e estrutura funcional, mas o contexto muda. Os materiais tornam-se mais leves, as silhuetas diversificam-se, alternando entre modelos superdimensionados e versões mais curtas, quase híbridas. As mais icónicas continuam a ser as do Carhartt WIP, mas opções mais acessíveis podem ser encontradas em quase todo o lado, incluindo a Uniqlo. O segredo? Estilização. Usado aberto sobre vestidos leves, emparelhado com saias volumosas ou saltos sofisticados, cria um contraste visual irresistível.

O casaco desportivo

Há um momento na moda em que o erro se torna estratégia. É a famosa teoria do casaco errado, o elemento fora de contexto que torna tudo mais interessante. O casaco desportivo — seja um anoraque, blusão ou concha técnica — incorpora perfeitamente esta lógica. As passarelas, da Loewe à Prada e até à Versace e Fendi, celebraram-no, levando-o para além da sua vibração de “viagem escolar” e para os guarda-roupas do dia-a-dia. Nylon brilhante, zíperes, cordões, cores vivas — tudo o que define este novo passe-partout sazonal agora interage com peças personalizadas, saias elegantes e acessórios refinados. Não protege apenas do vento ou da chuva, mas introduz uma dimensão lúdica, quase irónica ao olhar. Usá-lo significa abraçar o contraste, trabalhar com assimetria e construir uma roupa que prospere na tensão.

O casaco de camurça

Numa paisagem dominada por materiais técnicos e superfícies brilhantes, o casaco de camurça representa uma pausa. Uma suspensão tátil, visual, quase emocional. A camurça absorve a luz, manté-a e devolve-a de uma forma fosca e sofisticada. Nas pistas da primavera de 2026, de Miu Miu a Ferragamo, e até Isabel Marant e Tod's, este material faz um regresso, mas sem nostalgia estéril. Pode evocar um imaginário boho, uma certa ideia do passado, mas reformula-o numa chave contemporânea, tornando-a totalmente relevante nos dias de hoje. O casaco em camurça 2026 funciona porque pode ser casual ou elegante, descontraído ou estruturado. As silhuetas vão do bomber ao blazer, incluindo trincheiras leves que quase deslizam sobre o corpo. A cor também desempenha um papel crucial. Juntamente com tons naturais, surgem tons mais ousados como azul, verde e vermelho, mas permanecem usáveis graças ao acabamento fosco do material. O styling, mais uma vez, é decisivo. Combinado com malhas essenciais, saias fluidas ou acessórios marcantes, o casaco de camurça constrói um look que não precisa de levantar a voz para se destacar.

O casaco mandarim

Entre as muitas influências que moldam a moda contemporânea, a oriental continua a ter um fascínio particular. A jaqueta mandarim, ou jaqueta de estilo coreano, se encaixa perfeitamente neste diálogo global, trazendo consigo uma estética construída sobre rigor, equilíbrio e contenção. Definido pela sua gola alta e reta, linhas limpas e fechos discretos (botões ocultos ou nós tradicionais), este casaco cria uma presença silenciosa mas poderosa. Não procura atenção, mas consegue. Não se mostra, mas define. Em 2026, em parte graças ao sucesso viral do casaco adidas Tang, este modelo surge como um dos mais interessantes da temporada. Funciona com calças largas, saias lineares e paletas neutras.

Gola em funil ou gola de camisa?

Às vezes, um único detalhe muda tudo. No caso dos casacos primavera 2026, esse detalhe é a gola. Mais precisamente, o contraste entre a gola funil e a gola da camisa torna-se uma verdadeira questão de identidade estilística. O pescoço de funil, já popular neste inverno, cria presença. É escultural, arrojado, quase arquitectónico. Enquadra o rosto, define a postura, impõe uma certa disciplina visual. Na sua versão de primavera - mais leve e menos volumosa - mantém todo o seu poder evocativo, tornando-se um acessório integrado dentro da peça. Por outro lado, a gola da camisa introduz uma dimensão completamente diferente: mais descontraída, mais quotidiana, com um eco manish visto nas coleções de Miu Miu e Bottega Veneta. É o detalhe que torna o casaco instantaneamente utilizável. Escolher entre os dois não é apenas estético — é quase psicológico. A escolha é menos trivial do que parece: o decote em funil funciona melhor com silhuetas limpas e looks monocromáticos, enquanto a gola da camisa convida a camadas leves, com t-shirts finas ou malhas ajustadas.

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