
A maquilhagem de verão: base leve, blush estratégico e (quase) ausência de rímel Com maquilhagem que mal existe, o foco está na tez, bochechas e lábios
Primeiro aprendemos a sombrear o contorno. Agora estamos a aprender a prescindir dele. Basta olhar para os últimos tapetes vermelhos: Zendaya na estreia em Nova Iorque de The Odyssey, Hunter Schafer, Olivia Dean, Elle Fanning, Gracie Abrams ou Joey King no Met Gala 2026, mas também Alexa Demie e Rosalía, que fizeram uma pausa na sua maquilhagem ultraconstruída para deixar espaço para bases quase imperceptíveis. Isto não é uma coincidência, mas o sinal mais óbvio de uma mudança de rumo na beleza. A composição de 2026 reescreve prioridades. A base de luz substitui a cobertura total, o blush esculpido substitui o contorno e os cílios XXL deixam o papel principal a olho quase nu. A pele volta a ser visível, com a sua textura, sardas e aquela vermelhidão natural que até recentemente teríamos corrigido com um corretivo de alta cobertura. O resultado não é um rosto menos maquilhado, mas um rosto que parece menos construído. É a evolução natural da maquilhagem sem maquilhagem, mas também o momento em que a rapariga estética limpa começa a perder a sua obsessão pela perfeição. O novo luxo de beleza não é parecer filtrado, mas parecer saudável. E num verão onde o calor, a humidade e o FPS tornam cada vez mais difícil suportar fundações pesadas e contornos esculpidos, esta estética não só é mais bonita de se olhar, mas é também a que faz mais sentido usar.
O blush é o novo contorno. O rímel? Um detalhe
A verdadeira estrela do momento? O blush. Já não é o toque final, mas sim o produto que esculpe o rosto. O regresso da escultura blush, uma evolução contemporânea dos anos setenta, drapeando o blush, retira o contorno tradicional e substitui-o por algo muito mais suave. A cor sobe nas maçãs do rosto, desbota em direção às têmporas, atravessa a ponte do nariz e devolve aquela vermelhidão natural que tem depois de um dia ao sol. O look de beleza da Prada desenhado por Ernesto Casillas para a Zendaya na estreia em Nova Iorque de The Odyssey é já um pequeno manifesto da tendência. Base quase impalpável, dois blushes creme (mocha e cereja) para esculpir o rosto e os olhos reduzidos ao essencial, com muito pouco rímel, pestanas fantasmas e sobrancelhas macias. Os lábios? Um simples bálsamo rosado (com uma pitada de blush), porque agora o foco está todo na tez.
A maquilhagem entra na sua era Plain Jane
Há um nome que resume perfeitamente esta nova sensibilidade: a simples Jane Make-Up. 'Plain Jane' é uma expressão que há décadas indica uma rapariga comum. Hoje é recuperado quase com ironia para contar o encanto do ordinário. A ideia não é aparecer 'sem maquilhação', mas potenciar o que já existe. Depois de contornos impossíveis, glamour completo diário e maquilhagem pensada mais para uma câmara do que para a vida real, o desejo parece ser um rosto que se move, muda ao longo do dia, brilha um pouco, deixa uma sarda ou um blush à superfície sem que isso seja experimentado como um defeito. É por isso que as fórmulas de creme estão a viver uma nova estação dourada. Misturam-se com os dedos, misturam-se com a pele em vez de cobri-la e tornam a maquilhagem quase intuitiva. O mesmo vale para bálsamos labiais coloridos e lábios de picolé, lábios recém-manchados que parecem a memória de um picolé de cereja em vez de um batom perfeitamente desenhado.
O novo luxo? Mostre a pele
A maquilhagem quase inexistente não é o resultado de uma maquilhagem feita rapidamente, mas de uma mudança de objectivo. Já não quer apagar a pele, quer realçá-la. Também não tenta convencer-nos de que o truque não existe. Simplesmente lembra-nos que um rosto não tem de ser perfeito para ser bonito. A textura natural, os poros, algumas sardas ou vermelhidão difusa deixam de ser percebidos como erros do sistema, mas sim como detalhes que restauram o carácter. Assim, a cobertura deixa espaço para a qualidade da tez, o contorno é substituído pela cor e o rímel perde o monopólio do olho. E, talvez precisamente por isso, o resultado convença-nos muito mais.























































